Prolongamento
GD Chaves: uma força transmontana apoiada numa "família investidora"
2017-07-31 20:45:00
O GD Chaves quer consolidar-se como equipa de Primeira Liga e conta com o suporte da família Carvalho

O GD Chaves prepara a participação na Primeira Liga pelo segundo ano consecutivo, mas os tempos difíceis vividos durante os 17 anos que andou arredado dos grandes palcos nacionais, tendo mesmo passado por um processo de insolvência, estão ainda bem presentes na memória dos flavienses, como contou ao Bancada o atual presidente dos flavienses, Bruno Carvalho que explicou como os sócios do clube, desesperados, recorreram ao pai, Francisco da Costa Carvalho, para que salvasse o CD Chaves da mais que provável extinção.

Em 2011 o GD Chaves encontrava-se em processo de insolvência. Estava mergulhado num mar de dívidas e não havia formas de arranjar receitas para fazer face a essas obrigações. “Um conjunto de sócios decidiu abordar o meu pai, que durante muitos anos ajudou o clube, no contacto de empresários, com patrocínios das empresas dele”, recorda Bruno Carvalho.

Francisco da Costa Carvalho foi visto, pelos sócios do GD Chaves, como o homem capaz de inverter o curso negativo que tinha tomado conta do clube flaviense. O empresário acabou por aceitar o pedido dos sócios depois de muita ponderação e muitas conversas com a família como recorda o atual presidente do GD Chaves: “O meu pai aceitou o desafio depois de consultar a família e de ponderar algum tempo.”

Os dias que se seguiram, em 2011, à tomada de decisão, em ajudar o clube, estão bem presentes na memória de Bruno Carvalho que recordou a assembleia geram em que o pai apresentou um pedido – que foi aceite – de alteração à ordem de trabalhos. Nessa reunião Francisco da Costa Carvalho manifestou perante os sócios presentes que tinha a intenção de elaborar um plano de insolvência. E foi o que aconteceu.

Depois de a luz verde ter sido dada pelos sócios para a criação de uma comissão administrativa liderada por Francisco Carvalho e Bruno Carvalho a família deu início ao período de negociações com os credores do GD Chaves: “Deram-nos luz verde para criarmos uma comissão administrativa que dirigisse o clube e que negociasse com os credores. Foram necessárias muitas reuniões para tratar de tudo o que pudesse ser incluído no plano de insolvência. Os credores tiveram prazos para que os seus créditos fossem reconhecidos”, explicou Bruno Carvalho.

As dívidas contraídas pelo clube ao longo dos anos eram avultadas e o atual presidente do GD Chaves levantou um pouco do véu: “Posso-lhe dizer que havia dívidas ao Fisco, à Segurança Social, ao fundo de acidentes de trabalho, a jogadores, a treinadores e inclusive a antigos presidentes que quiseram reaver alguns dos investimentos que tinham injetado no clube”, explicou.

Portanto os dois primeiros anos que a família Carvalho esteve no GD Chaves – 2011 e 2012 – foram de constantes negociações. Só em 2103 é que todo o processo foi encerrado, as negociações com os credores foram todas cumpridas e as dívidas ao Fisco e à Segurança Social foram saldadas. Com o processo resolvido era tempo de apostar na equipa de futebol. E foi isso mesmo que Francisco da Costa Carvalho fez.

“A família investidora”

A necessidade em manter a equipa de futebol viva obrigou a que a família Carvalho injetasse capital no GD Chaves. Foram estas ações que valeram ao clã Carvalho a alcunha de “a família investidora”, como carinhosamente são conhecidos pelas gentes de Chaves afetas ao clube flaviense assim revelou ao Bancada o presidente Bruno Carvalho: “A nossa família é conhecida como a “família investidora” pelos adeptos do GD Chaves.

O caminho percorrido até ao regresso à Primeira Liga foi desgastante, sobretudo, do ponto de vista emocional. Na primeira temporada de Bruno Carvalho ao leme do GD Chaves, estava o clube na extinta II divisão B, o objetivo subida não foi atingido e emocionalmente foi um tremendo abalo.

O período difícil por que atravessou o clube de Trás-os-Montes serviu, no entanto, para o presidente conhecer um grupo de jogadores a quem deve muito e a quem é muito grato, como realçou ao Bancada.

“Quero realçar o profissionalismo dos jogadores que contratámos na altura. Posso-lhe dizer que foram tão profissionais como os que temos agora. Deram sempre o máximo para que o GD Chaves saísse do buraco onde se encontrava”, garantiu.

Depois de conseguida a subida aos escalões profissionais foi formada a SAD e a entrada do outro membro da família Carvalho que chegou para presidir a sociedade. O irmão de Bruno Carvalho, Francisco José Carvalho.

A subida à Primeira Liga não aconteceu sem antes, o clube e os adeptos, viverem novo momento traumático como caracterizou Bruno Carvalho a desilusão que foi o facto de o GD Chaves ter falhado a ascensão ao escalão maior do futebol português nos segundos finais da época 2014/15: “Nesse ano tivemos muito perto de o conseguir e falhámos de forma traumatizante para todos. Para a estrutura, para os jogadores e para os adeptos”, admitiu o jovem dirigente que, no entanto, reconheceu que não foi nessa partida que o a equipa perdeu a possibilidade de voltar a lidar com os grandes do futebol luso.

“Sempre estivemos conscientes de que não perdemos a possibilidade de subir nesses últimos 30 segundos do campeonato. Houve outros jogos, outros lances e outros pontos perdidos que fizeram com que naquele dia não tivéssemos atingido o objetivo da subida”, assumiu Bruno Carvalho que terminou a conversa com o Bancada a revelar que em 2011, quando chegou ao clube, o GD Chaves tinha 400 sócios pagantes e atualmente são mais de 4000.

O clube flaviense tem sido um dos mais ativos clubes no que ao mercado de transferências diz respeito, “com o objetivo de garantir a permanência o mais rapidamente possível para depois, quem sabe, traçar outro tipo de objetivos”, explicou Bruno Carvalho.

No capítulo das entradas destacam-se as chegadas dos dois jogadores do Sporting, Domingos Duarte para o centro da defesa e o explosivo Matheus Pereira para jogar em qualquer posição da frente de ataque e o rápido atacante Jorge Intima que passou pelo FC Arouca.

Em sentido inverso há a realçar o regresso de Fábio Martins ao SC Braga, ele que foi uma das figuras do GD Chaves na pretérita temporada que viu o clube ser eliminado nas meias-finais da Taça de Portugal e a garantir o 11.º lugar na tabela classificativa, e a transferência do ponta-de-lança Rafael Lopes para o Omonia do Chipre.

PLANTEL

Guarda-redes: Ricardo Nunes, António Filipe, Emanuel Novo e João Kuspiosz.

Defesas: Paulo Mota (Paulinho), Pedro Queirós, Nuno André Coelho, Anderson Conceição, Victor Massaia, Domingos Duarte, Furlan, Rúben Ferreira.

Médios: Guilherme Krolow (Foguinho), Filipe Melo, Jefferson, Renan Bressan, João Patrão, Pedro Tiba e Thiago Galvão.

Avançados: Davidson, Rafael Batatinha, Wilmar Jordán, Jeferson Macedo (Perdigão), Platiny, Hamdou Elhouni, William, Jorge Intima e Matheus Pereira.

Treinador: Luís Castro (55 anos), no GD Chaves desde maio 2017.

Entradas: João Kuspiosz (São Martinho), Furlán (Grémio Anápolis, Brasil), Paulinho (SC Braga), Anderson Conceição (São Bernardo, Brasil), Rúben Ferreira (Vitória de Guimarães), Domingos Duarte (Sporting), Jefferson (Hadjuk Split, Croácia), Foguinho (Grémio Anápolis, Brasil), Thiago Galvão (Borac Cacak, Sérvia), Filipe Melo (Sheffield Wednesday, Inglaterra), José Xavier (Pedras Salgadas), Wilmar Jordán (CSKA Sófia, Bulgária), Platiny (Feirense), Jorge Intima (AS Saint-Étienne) Matheus Pereira (Sporting).

Saídas: Braga (Aves), Fábio Martins (SC Braga, fim de empréstimo), Petrovic, Rui Silva (SC Braga B), Rodrigo (Aves), Felipe Lopes, Fábio Santos (Académico Viseu), Mathaus (Oliveirense), Rafael Lopes (Omonia, Chipre), Nélson Lenho (Aves), Fall (Gil Vicente) e João Mário (Académico Viseu).

 

                                                                           ONZE BASE DO GD CHAVES PARA 2017/18

                                                                     

 

PRÉ-ÉPOCA

08-07-2017  GD Chaves, 3 – SC Braga B, 0 (Jefferson, Rúben Ferreira e Pedro Tiba)

12-07-2017  GD Chaves, 1 – Moreirense, 1 (Platiny)

19-07-2017  GD Chaves, 1 – Marítimo, 0 (William)

22-07-2017  GD Chaves, 2 – Aves, 0 (Filipe Melo, Jordán)

28-07-2017  GD Chaves, 1 – Boavista, 0 (Jefferson)

Episódio 9: Estoril-Praia amanhã às 14h