Prolongamento
"Como é benfiquista ferrenho, decerto que também já pediu escusa do E-Toupeira"
2020-04-20 21:45:00
Ana Gomes reage ao pedido de escusa do processo Football Leaks apresentado pelo juiz Paulo Registo

Ana Gomes já reagiu à decisão do juiz Paulo Registo, que pediu escusa do processo Football Leaks, que tem Rui Pinto como arguido, por "suspeita sobre a imparcialidade".

Através das redes sociais, a ativista contra a corrupção, que ao longo de um ano foi uma das mais fervorosas defensoras da libertação do hacker, 'registou' a posição do magistrado, que integra também o coletivo de juízes do processo E-Toupeira, que tem como arguido o ex-assessor jurídico da SAD do Benfica, Paulo Gonçalves.

"E como é benfiquista ferrenho, [Paulo Registo] decerto que também já pediu escusa do julgamento do caso E-Toupeira... ou não? E decerto que Tribunal de Relação vai aceitar a escusa pedida e convidar à outra", escreveu Ana Gomes.

A antiga eurodeputada prometeu que vai ficar "com atenção" e sempre... "a registar".

Miguel Sousa Tavares, outro crítico da justiça portuguesa durante a prisão preventiva de Rui Pinto, também já se pronunciou, lembrando que o juiz Paulo Registo foi "apagar a correr o registo no Facebook" das 'provas' de ser "um adepto fervoroso do Benfica".

O processo de Rui Pinto, criador do Football Leaks e autor das revelações do Luanda Leaks, que vai responder por 90 crimes, por aceder aos sistemas informáticos do Sporting, da Doyen, da sociedade de advogados PLMJ, da Federação Portuguesa de Futebol e da Procuradoria-Geral da República, foi distribuído na semana passada para julgamento ao juiz Paulo Registo (presidente do coletivo de juízes, composto ainda pelas juízas Ana Paula Conceição e Helena Leitão).

Em janeiro deste ano, o Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa decidiu levar a julgamento o advogado Aníbal Pinto (apenas pelo crime de tentativa de extorsão à Doyen), e Rui Pinto, que está em prisão domiciliária, por 90 crimes de acesso ilegítimo, acesso indevido, violação de correspondência, sabotagem informática e tentativa de extorsão, mas deixou cair 57 dos 147 crimes pelos quais o arguido havia sido acusado pelo Ministério Público.