Portugal
"Tenho muita pena que sejamos burros...", diz Duarte Gomes em defesa do futebol
2020-02-20 15:40:00
Ex-árbitro diz que povo tem "grande oportunidade de mostrar inteligência"

Duarte Gomes, antigo árbitro e agora especialista no comentário e análise de lances de arbitragem, sai a público para lamentar o estado em que o futebol português se tem vindo a transformar.

Depois de lembrar os sucessos da Seleção e de conquistas que o futebol português tem vindo a somar ao longo dos anos, Duarte Gomes lamenta que a indústria do futebol nacional acabe por estar como está.

"Temos um potencial tremendo, temos um povo absolutamente fantástico, um país calmo onde não existem guerras, terrorismo, temos uma gastronomia deliciosa, somos um povo ordeiro naquilo que diz respeito a manifestações. Falamos, falamos, falamos e na verdade não passamos do Marques de Pombal e da Assembleia da República com umas bandeiras", detalha o antigo árbitro, já depois de ter dito, em relação ao caso de racismo com Marega, que Luís Godinho “cumpriu o estipulado” em Guimarães.

Em declarações no programa 'Ginga Bola' da 'SIC Internacional', Duarte Gomes sustenta que não consegue entender como é que se chega a este ponto.

"No meio de tudo isto com tantas condições privilegiadas, damos cabo do que é o nosso maior produto que é o futebol. E isto é uma pena. Porque faz de nós burros. Tenho muita pena que sejamos burros quando tínhamos uma grande oportunidade de mostrar a nossa inteligência".

O ex-árbitro explicou ainda que irá continuar a dar a sua opinião sobre lances de arbitragem e não esconde que a tarefa "é mais difícil agora" do que quando era árbitro internacional em atividade.

"Eu enquanto árbitro sabia o que me esperava", explicou, deixando um aviso aos colegas que ainda estão em funções.

"Os árbitros não estão habituados à crítica de ex-colegas. E quando falamos criticados falamos em ser analisados. Mas eu também fui sempre criticado. Ninguém está acima da crítica. Tenho um cuidado enorme em ser incendiário, em ser explicativo e esclarecedor. Não sou é corporativista porque isso não beneficia a classe. A minha opinião, felizmente, é livre e independente."