Portugal
Rui Costa "finaliza melhor do que Marega", mas tem um problema de guarda-roupa
2018-01-17 22:30:00
O atacante que pode estar a caminho do FC Porto nas palavras de quem o conhece bem

Rápido. Possante. Finalizador nato. São algumas das palavras usadas para descrever um dos potenciais reforços do FC Porto nesta reabertura do mercado de transferências. O Bancada foi saber mais sobre Rui Costa, o pequeno jogador que joga como gente grande e que tem apenas dois pontos fracos: o jogo de cabeça e o facto de não se saber vestir. O avançado tem marcado que se farta desde que chegou ao FC Famalicão por empréstimo do Portimonense onde, surpreendentemente, não impressionou Vítor Oliveira. O motivo? Já explicamos.

Quem trabalhou com Rui Costa não tem dúvidas. O ponto forte do jovem avançado é a capacidade de finalização. O Bancada esteve à conversa com José Augusto Santos, Luis Cortez e Pedro Santos, antigo treinador e colegas de Rui Costa no Varzim e todos destacaram a facilidade que tem o pequeno avançado em encontrar o caminho para a baliza. A forma é, muitas vezes, secundária para Rui Costa, o que importa é que a bola toque nas redes adversárias e no FC Porto assentava que nem uma luva ao lado de Aboubakar.

Quem nos disse foi Pedro Santos. O defesa-central que partilhou o balneário com Rui Costa durante época e meia no Varzim não tem dúvidas quando o momento é de falar sobre as principais características do antigo colega. “Ele é do estilo do Marega, rápido e possante, e finaliza melhor do que o Marega, sem dúvida alguma. É um jogador de ir para cima dos defesas, explosivo. Pode completar o Aboubakar que é mais fixo. O Rui gosta de andar ali por trás à espera de uma bola para mandar um ‘bilhete’”.

Ora bem, quem melhor para analisar esta avaliação do que José Augusto Santos, treinador de Rui Costa na equipa B do varzim em 2015/16. “Apesar de ser potente e rápido, é difícil de dizer que se pode comparar ao Marega, que é dos jogadores mais potentes e rápidos da Liga Portuguesa, mas em termos de assertividade de remate não tenho dúvidas de que é melhor do que o Marega. O Rui é letal no remate. Tem uma facilidade de remate em movimento como poucos. Coloca muito bem a bola. Mesmo em velocidade consegue rematar com força e colocado. O que não é fácil”, palavra do mister.

           

                         Rui Costa a fazer o que melhor sabe: colocar a bola no fundo das balizas adversárias

José Augusto Santos vê Rui Costa como um avançado móvel que tem de beneficiar de alguma liberdade para render tudo o que pode, mas lembrou que quando se cruzaram, no Varzim B, era apartir do lado esquerdo que o jovem mais rendia. “Ele quando trabalhou comigo jogava mais a extremo. Do lado esquerdo. Ele gostava de fazer o movimento para dentro para depois rematar. Às vezes até exagerava. Tínhamos de o corrigir. Mas isso faz parte da evolução dos jogadores jovens, como ele”, lembrou o treinador que atualmente comenta os jogos do FC Porto na Rádio 5.

Para José Augusto Santos, Rui Costa é um segundo avançado, um jogador móvel e muito eficaz a aproveitar as segundas bolas, tem um ponto fraco: o jogo aéreo. “O jogo de cabeça não é de facto um dos pontos fortes do Rui. Não é um jogador para jogar fixo na área, isso não”, atirou o antigo treinador do jogador de 21 anos.

“Na altura falei com o diretor desportivo do Varzim que, em janeiro, o Rui tinha de ir para a equipa A. Só não aconteceu porque o Capucho trouxe alguns jogadores de fora e o Rui acabou por ficar sem espaço”, revelou José Augusto Santos que prevê uma passagem, de Rui Costa, pela equipa B do FC Porto: “Ele no FC Porto terá de passar pela equipa B, mas depois pode subir à equipa principal, vejam os responsáveis do FC Porto que ele pode acrescentar alguma coisa.”

Desengane-se quem vê em Rui Costa um avançado frágil. É que apesar dos 1,79 metros, o jovem atacante é de uma força física impressionante. “Ele é daqueles jogadores que baixa a cabeça e leva tudo à frente até meter a bola na baliza. Acaba sempre por se safar”, revelou ao Bancada, Luís Cortez, também ele antigo colega de Rui Costa no Varzim, que acrescenta: “O Rui tem o ‘cheirinho’ do golo. É impressionante a facilidade com que ele arranja maneiras de marcar golos”, disse o jogador formado no Sporting.

Pedro Santos corrobora desta opinião e explica ao pormenor o que costuma fazer Rui Costa perto da baliza: “Ele não precisa de ajeitar a bola. Como ela vem é como ela vai. Quando o defesa pensa em cortar a bola já ele a mandou para dentro da baliza. Não precisa de dois toques para finalizar. Com um toque mete-a lá dentro. Isto para os defesas é o pior. Quando os defesas vão para encurtar o espaço de manobra já ele rematou e não há hipótese”, explica quem sabe.

“Como sou defesa, nos treinos encontrávamo-nos muitas vezes e eu dizia-lhe para ir para o outro lado se não eu virava-o. É que ele dá trabalho. Está sempre a movimentar-se. Sempre a correr, é um jogador que desgasta as defesas contrárias”, analisou Pedro Santos, que vê Rui Costa com as qualidades necessárias para jogar no FC Porto, o mais que provável destino do jovem de 21 anos.

“Acho que ele se pode impor no FC Porto. Eles jogam num modelo de transição rápida. Com um futebol apostado na velocidade e muito objetivo e acho que o Rui encaixa na perfeição. Ele é muito rápido. Aproveita muito bem os espaços nas costas das defesas e apesar de ser baixinho é um jogador que ganha muitos lances no confronto físico. Aguenta bem as cargas”, sublinhou o antigo colega que tem um defeito a apontar a Rui Costa: “Ele veste-se muito mal”, revelou-nos Pedro Santos entre muitas gargalhadas.

“Eu costumava dizer-lhe que ele vestia as roupas do avô. O gosto dele pele roupa é horrível. Era demais. Vai ter de mudar isso”, apelou Pedro Santos. “Ele é um pouco desleixado com a roupa. Anda sempre de fatos de treino, e bem velhos”, confirmou Luís Cortez.

Rui Costa foi contratado pelo Portimonense no final da temporada transata e realizou a pré-época às ordens de Vítor Oliveira. Sem ter convencido, Rui Costa acabou por ser emprestado ao FC Famalicão, da Segunda Liga. A situação surpreendeu que conhece o jovem jogador, porque as qualidades estão lá. Aliás, José Augusto Santos não tem dúvida de que Rui Costa vai encontar o seu espaço no principal escalão do futebol português. Há certos aspetos a melhorar, um deles é a forma como encara os treinos. “O Rui é um jogador de jogos, não é que não se aplique nos treinos, mas precisa que estejamos sempre a puxar por ele.”