Portugal
"Polícia tinha de intervir" nos cânticos nos Açores, diz juiz Abrantes Mendes
2019-12-16 14:20:00
Juiz e ex-candidato leonino diz que pessoas não podem estar na via pública de cara tapada

Os cânticos a recordar o ataque a Alcochete que foram dirigidos à equipa do Sporting, nos Açores, tem 'feito correr muita tinta', nas últimas horas. Sérgio Abrantes Mendes, antigo dirigente leonino e juiz desembargador, revela que a polícia devia ter tomado uma atitude no local.

"Se estavam encapuzados e de cara tapada estavam em situação ilegal e a polícia tinha que intervir uma vez que ninguém pode andar encapuzado no meio da rua, tem que andar de cara aberta para eventuais identificações", avisou Abrantes Mendes, em declarações à 'Antena 1'.

O magistrado, que é um conhecido sócio leonino, diz ainda que a questão da violência não é caso isolado dos leões. "O problema não é do Sporting porque pode suceder em qualquer clube. É um problema de Estado. Aconteceu aquilo o que aconteceu [Ataque Alcochete] e o Estado, através dos meios que tem ao seu alcance, viu-se na obrigação de mover ações criminais contra quem faz apologia dessa violência. O Estado tem que estar atento." 

Abrantes Mendes diz ainda que quem esperou pela equipa, nos Açores, e depois foi entoando aqueles cânticos é "gente marginal". "Não nos podemos esquecer que pelas mesmas razões outros estão a ser julgados. Estes indivíduos sufragam os procedimentos das pessoas que estão a ser julgadas. Só por mero acaso não estão no banco dos réus. É gente que não tem valor, sem escrúpulos quem faz a apologia da violência. É gente que não merece o mínimo de dignidade".