Professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana e Provedor para a Ética no Desporto, Manuel Sérgio considera que "há dirigentes, nos clubes de futebol, que sofrem de 'neblina mental', ou seja, sabem tudo… de nada".
Num longo artigo de opinião e reflexão no jornal 'A Bola', Manuel Sérgio aproveita essa ideia para destacar José Maria Pedroto, José Mourinho e Jorge Jesus, três técnicos lusos com os quais trabalhou, mas, sobretudo, JJ, ele que no Flamengo já tem mais taças que derrotas.
Manuel Sérgio encontra no técnico do Flamengo "uma qualidade" única. "Como eu não sei se alguém terá com tanta perfeição: uma excecional leitura de jogo."
O Provedor para a Ética no Desporto sustenta a forma como Jesus percebe o jogo e o explica. "Ele (como nunca vi) 'adivinha as jogadas' e sabe resumi-las, designadamente aos jogadores, num estilo másculo, breve, lapidar e numa linguagem forte e penetrante, tanto do agrado dos seus pupilos."
O catedrático alonga-se em comentários e elogios sobretudo para Jorge Jesus pelo que o técnico tem feito no Flamengo. Mas apesar do sucesso em terras de Vera Cruz, Manuel Sérgio não tem dúvidas de que JJ irá regressar ao campeonato português.
"Cá o espero, para os nossos almoços. Portugal espera pelo meu amigo! Não exagero, pode crer", pode ler-se nas declarações de Manuel Sérgio, que olha para Jesus e diz que ele "como ninguém representa, no futebol, um necessário e urgente e tríplice protesto".
Para Manuel Sérgio, em Jesus está um trabalho no futebol "contra o saber fragmentado, em migalhas, de alguns especialistas e de alguns dirigentes".
Além disso, o técnico do Flamengo é, no dizer de Manuel Sérgio, alguém que vai "contra a esquizofrenia intelectual de alguns cursos superiores de desporto" e destaca-lhe ainda a capacidade para ir contra "o conformismo das situações adquiridas e a velhice de meia dúzia de ideias indiscutidas ou impostas".
No longo artigo no jornal 'A Bola', o professor catedrático, que chegou a trabalhar no Benfica com Jorge Jesus, sustenta que "são poucos os que, como ele [Jesus], já vivem hoje o futebol do futuro".