Portugal
"Mas quem é que nós queremos enganar?", questiona Duarte Gomes
2020-01-08 16:55:00
Ex-árbitro analisa polémica com as linhas de fora de jogo

Duarte Gomes comentou aquela que chama de "discussão da moda relativa às tecnologias que existem para avaliar foras de jogo". O ex-árbitro destaca que a menos que apareça um "génio" da informática capaz de colocar a tecnologia a trabalhar sozinha, o sistema em vigor irá sempre depender da forma como o humano (no caso o VAR) mandar colocar as linhas de fora de jogo.

"É o VAR - em Portugal, na Alemanha ou em Espanha - quem diz ao seu técnico de imagem onde deve colocar as tais linhas, com base naqueles que são, aos seus olhos, os pontos exatos", explica Duarte Gomes, em artigo de opinião na 'Tribuna Expresso', destacando que "uma linha que seja colocada num ponto microscopicamente errado - daqueles imperceptíveis a olho nú - pode significar a diferença entre acertar ou errar na decisão".

Daí que o ex-árbitro considere que a polémica vai continuar seja por 20 centímetros ou não "até que algo bem refletido (ou milagroso) apareça". "Mas quem é que nós queremos enganar?", questiona.

Toda e qualquer mudança é, no entender de Duarte Gomes, "mais do mesmo" e o antigo árbitro aproveita para recordar que antes das linhas a polémica já existia.

"Será que já nos esquecemos das polémicas gigantes que existiam antes de haver linhas tecnológicas? Será que já nos esquecemos das discussões eternas sobre ser inaceitável que o VAR não tivesse linhas credenciadas para avaliar offsides? Será que ja nos esquecemos das suspeitas semanais provocadas pelo facto de haver jogos com "linha" e outros sem referência? Será que já nos esquecemos das guerrilhas que existiram anos a fio, por causa de lances mal avaliados, devido a foras de jogo tão milimétricos como aqueles que agora se discutem?"

Duarte Gomes diz ainda que ele e a FFP "não esqueceram" esta temática e aproveita para traçar uma ideia sobre a linha de baliza que aciona um relógio do árbitro para assinalar quando a bola passa totalmente a linha de golo ou não.

"A bola, os postes e as balizas estão carregadas de mil e um sensores que disparam informação automática para um hiper-mega-super relógio do árbitro", diz, revelando que "a brincadeira custa milhões para ser usada duas, três vezes por época", destaca o antigo juiz internacional.