Portugal
Farense reage ao "segregacionismo e evidente misantropia" do Marítimo
2020-05-21 18:30:00
Insulares querem travar a promoção do rival Nacional e complicam a vida aos algarvios

O pedido de impugnação do encerramento da II Liga apresentado pelo Marítimo surpreendeu o Farense, um dos clubes promovidos ao principal escalão, a par do Nacional.

A eventual impugnação da prova compromete a subida do clube madeirense (que é a intenção do Marítimo, para não ter de repartir os apoios regionais) e também a da formação algarvia, que reagiu com dureza.

"Este momento que se deveria consagrar pela cooperação, altruísmo e unidade, está a conhecer episódios de incontornável segregacionismo e evidente misantropia", considerou o Farense, em comunicado.

O clube sustentou que o Marítimo não apresentou "um argumento válido que justifique" o pedido de impugnação e alertou para "os perigos que as misturas de interesses podem incitar".

"O Farense relembra que em momento algum exerceu qualquer tipo de pressão ou influência junto dos órgãos reguladores do futebol português, com vista ao término do campeonato e consequente decreto de subidas e descidas de divisão", frisou ainda o emblema algarvio, sublinhando o "respeito pelos órgãos decisórios e pelas contingências associadas a uma conjuntura social e económica dificílima".

Já a preparar a próxima temporada, "de acordo com as expectativas que nos foram comunicadas pelos órgãos competentes do futebol português", o Farense conta "fechar contratações com vista à I Liga" e a dar "sequência às obras necessárias no Estádio de São Luís" para que este possa receber jogos do principal escalão.

"Lutámos, como lutaremos agora, pela defesa da meritocracia, da equidade e da verdade desportiva que tantos ousam questionar com imoderada ligeireza", insistiu ainda o clube, num alerta para "o impacto financeiro catastrófico" que teria a impugnação do encerramento da II Liga e o consequente cancelamento das promoções de Farense e Nacional.

No seu sítio oficial na Internet, o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) dá conta da admissão, no passado dia 15, de uma queixa do Marítimo contra as decisões tomadas pela direção da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), em 05 de maio, quanto à suspensão definitiva da II Liga, e dois dias depois, ao regulamento do fundo de apoio aos clubes do segundo escalão.

Neste processo, Nacional e Farense, os dois primeiros classificados da II Liga à data da interrupção da competição devido à pandemia de covid-19, surgem como contrainteressados, por terem sido apontados pela direção da LPFP como promovidos.