Grande Futebol
"Proença precisa de talentos, mesmo que não sejam do futebol"
2019-11-07 15:50:00
Presidente da liga espanhola deixa conselhos ao homólogo português

A liga espanhola (La Liga) tem-se mantido no topo da Europa, a par da inglesa, e os clubes do país vizinho distanciam-se cada vez mais dos emblemas portugueses.

Tirando os colossos Barcelona e Real Madrid e o 'outsider' Atlético Madrid, a competitividade é intensa e, época após época, surge um Granada ou uma Real Sociedad no topo da tabela, quando dois ou três anos antes estavam a lutar pela manutenção.

O segredo da La Liga está no desenvolvimento tecnológico, que permitiu uma maior proximidade aos adeptos, que passam também a vestir a camisola de... consumidores.

Por isso, Javier Tebas, o presidente da liga espanhola, não tem dúvidas: Pedro Proença deve conduzir a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) no mesmo rumo.

Em entrevista ao Zerozero, Tebas deixou "dois conselhos" a Proença.

"O primeiro é paciência. Não é algo que se consegue da noite para o dia, nem os resultados aparecem da noite para o dia", alertou.

De seguida, recomendou "talento".

"É preciso rodear-se de pessoas com conhecimentos nestes setores, mesmo que não sejam do futebol. Do mundo dos dados, da análise. É uma questão de ter talento, é a chave para crescer, senão é impossível", defendeu.

Esta aposta não é apenas estratégica: é vital para que a LPFP não perca de vez o comboio dos campeonatos de segunda linha da Europa, como o russo, o holandês ou o belga.

"Isto não depende de serem ligas pequenas ou grandes", insistiu: "Nem podemos pensar que é muito dinheiro, é preciso decidir investir porque o lucro aparece nos anos seguintes. Há que ter paciência e talento. Tomar a decisão e ter claro o objetivo final, não ir construíndo à medida que vai surgindo".

Javier Tebas revelou ainda que partilha uma "preocupação" com Pedro Proença: a reforma da Liga dos Campeões planeada pela UEFA.

"Temos de estar muito atentos ao que acontece no futebol mundial e europeu, tanto na UEFA como na FIFA, porque não se está a pensar no que pode acontecer nos campeonatos e os campeonatos são os motores do futebol de cada país", finalizou o presidente da liga espanhola.