Prolongamento
Juiz manda calar Bruno de Carvalho na sala de audiências
2019-07-10 12:10:00
"O senhor não está aqui para falar com ninguém, nem veio aqui para falar com ninguém", disse Carlos Delca

O juiz Carlos Delca, que está a liderar a fase de instrução do processo de investigação ao ataque a Alcochete, viu-se obrigado, nesta quarta-feira, a mandar calar Bruno de Carvalho na sala de audiência.

A advertência do juiz ao ex-presidente do Sporting surgiu depois de Bruno de Carvalho ter proferido alguns comentários durante uma intervenção de Cândida Vilar, procuradora do Ministério Público.

“Senhor Bruno de Carvalho, não lhe digo para estar calado outra vez”, avisou Carlos Delca.

O magistrado terá ainda deixado uma explicação em jeito de aviso ao ex-presidente leonino: "O senhor não está aqui para falar com ninguém, nem veio aqui para falar com ninguém".

O ex-dirigente leonino e arguido no processo estava a interromper a intervenção da procuradora, que estava a prestar esclarecimentos sobre um pedido de inquérito nulo feito por um dos advogados.

Cândida Vilar considerou que as diligências foram feitas na sequência de flagrante delito e lembrou que a legislação relativa a terrorismo – crime imputado aos arguidos – tem exceções relativamente à recolha de prova.

Esta ideia servia para contrapor a versão da defesa, que queria a nulidade das provas, baseando-se no facto de a recolha de provas, nomeadamente dos telemóveis e respetivos conteúdos, ter sido feita com “total ausência de controlo jurisdicional sobre dados comunicacionais colhidos”.

Após a apresentação, o requerimento acabou por ser subscrito por mais 14 advogados dos 44 arguidos no processo, e o juiz Carlos Delca, sem atender ao pedido de nulidade, aceitou o documento, remetendo uma decisão para o debate instrutório.

Esta fase, que antecede o julgamento, tem de estar terminada até setembro, caso contrário, parte dos arguidos podem ser libertados.

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